CAMPANHAS E EVENTOS DA AMAB


PROJETO NELSON MANDELA - ESTRATÉGIA


Bruno Cajueiro, Marcelo Almeida e Sergio Leão – Arquitetos.
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Reflexões sobre o Projeto de Reurbanização e Requalificação das áreas adjacentes à rua Nelson Mandela, em Botafogo:
Fragmentação Urbana e dicotomia entre o público e o privado: Os Dilemas da cidade contemporânea.

Nos foi solicitado por Regina Chiaradia, Presidente da Associação de Moradores e Amigos de Botafogo – AMAB – um projeto para reurbanização e requalificação de áreas adjacentes à rua Nelson Mandela a serem desocupadas pela construtora Andrade Gutierrez, onde funcionava um canteiro de obras do metrô.

Pertencente à Área de Planejamento 02, IV Região Administrativa, Unidade espacial de Planejamento 09, a Área-projeto encontra-se entre as duas principais artérias do bairro, São Clemente e Voluntários da Pátria. Ocupa posição estratégica no centro do bairro, tendo como vantagem os acessos de metrô e a relativa proximidade com a praia.

As áreas adjacentes acima referidas encontram-se atualmente ocupadas por edificações temporárias, onde a construtora ainda exerce algumas atividades, constituindo-se em Vazios Urbanos “Latentes”. Com a desocupação já prevista, cria-se assim oportunidade para revitalizar o local.

A área é considerada insegura, principalmente à noite, dados os rebatimentos dos tapumes fechados e ausência de atividades sobre o espaço urbano. É também repleta de visibilidades negativas, degradada e possui suas calçadas em péssimo estado, além de estarem ocupadas pelo comércio ambulante. É elevado o índice de adensamento urbano, havendo problemas quanto à capacidade de escoamento de tráfego, além de pequena quantidade de áreas verdes e ocupação desordenada de espaços públicos.

A Lei 1458, de autoria do Vereador Fernando William, dispõe sobre os terrenos remanescentes de desapropriação para implantação das obras do sistema metroviário do município do Rio de Janeiro, onde estabelece como obrigatoriedade  a implantação de equipamentos de paisagismo, recreação e lazer.
Acreditamos assim que a área-projeto deverá representar para:

  1. Moradores – Áreas verdes, equipamentos sociais, lazer, recreação etc
  2. Investidores Privados – Oportunidades de ganhos financeiros e de imagem e visibilidade
  3. Estado – Recursos financeiros propulsores de novos investimentos e bem-estar de trecho da cidade.
  4. A cidade como um todo – Sustentabilidade e racionalidade do capital social incorporado ao utilizado.

Após verificação de algumas condicionantes e determinantes Urbano-Ambientais, chegamos a conclusão que os vazios possibilitam acolher atividades recreacionais e comerciais, em edificações do tipo temporárias, visto que a área é “non-aedificandi”.

Buscando articular a intervenção com o Plano Estratégico e o Plano de estruturação Urbana (PEU) de Botafogo e políticas de desenvolvimento urbano, as condições ambientais foram consideradas, tendo como finalidade o desenvolvimento da área tendo em vista proteger a cidade para o futuro, assegurando sua sustentabilidade.
A Estratégia de Intervenção/Revitalização tem vários eixos, entre eles:

  1. A articulação entre o público e o privado, por meio de um “Planejamento Adaptativo”, gerando estímulos fiscais e midiáticos para investimentos e parcerias, ampliando a eficiência da gestão e controle do lugar.
  2. A diversidade de usos, que é fundamental para revitalizar, impedindo a estagnação e degradação de um lugar (ver Linch e Hack, Urbanistas).
  3. O resgate à qualidade de vida, quanto a recreação e conforto ambiental, com a implantação de um verdadeiro “pulmão verde” em meio ao bairro adensado e carente de espaços verdes.
  4. A reconquista do espaço público pelos moradores, com opções de esporte e lazer, espaços de convivência e recreação, inclusive para idosos, crianças e pessoas portadoras de deficiência, garantindo a acessibilidade do lugar.
  5. Melhoramentos quanto à paisagem e resgate da auto-estima dos moradores.
  6. Criação de espaços para estacionamento e estudo de impacto viário, buscando aliviar o congestionado tráfego na área.
  7. Resgate da imagem, simbolismo e identidade do lugar, conectando a área ao contexto histórico-imagético-social de Botafogo.
  8. Aproveitamento da capacidade instalada e consideração à infra-estrutura local e ao fato da área ser “non aedificandi”.

Por isso, entre outras ações, propomos a transformação do vazio urbano em uma “Plaza”, com espaços de convivência e lazer, contendo quadra  poli-esportiva, aparelhos de ginástica, mesas de jogos, mobiliário urbano, brinquedos infantis, arborização, jardins, bancos, espelho d’água para combater o calor real e virtual, etc além da implantação de um pólo gastronômico.

Além disto, propomos a implantação de um equipamento social, que confira novo uso e imagem, estabelecendo a área como um polo de atração, sem desconsiderar obviamente as precauções quanto à abrangência e efetividade deste equipamento. Pensamos em uma espécie de “Lona Cultural”, que abrigaria atividades culturais, como: peças de teatro, exposições artísticas, workshops, cursos para a comunidade, eventos musicais etc com revestimento acústico, de modo a preservar a qualidade de vida dos moradores.

Estão previstas também novas áreas para estacionamento, remanejamento de paradas de ônibus e táxis, tratamento de empenas cegas, como a da concessionária Disbarra, com mosaicos e pinturas de artistas locais, melhoramentos do conforto ambiental, contemplando assim: acústica e temperatura; e paisagem.

O Projeto encontra-se em discussão, sendo passível de alteração: as estratégias de intervenção, a programação espacial, o faseamento etc . Sugestões e propostas serão bem vindas. Desejamos que o projeto represente a todos.

Bruno Cajueiro, Marcelo Almeida e Sérgio Leão – Arquitetos e Urbanistas

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